Sobrenatural – Uma enfermeira do outro mundo (Leia)

Rubens P. S. C. (1961) – São Paulo – SP
Transcrito por Anna Riglane

 

Não sei se foi sonho, se foi efeito da anestesia e dos medicamentos, e nem mesmo se a enfermeira era realmente fantasma… o que sei foi que, por três noites, passei por momentos pavorosos enquanto estive internado em um hospital para me recuperar de um acidente de carro que sofri ao sair da estrada e capotar barranco abaixo.
O caso comigo nem foi tão grave, exceto nos primeiros dois dias, até colocar ossos no lugar, suturar, reverter hematomas, etc. Aí foi só curtir as férias forçadas e admirar as enfermeiras que cuidavam de mim… uma mais chonchuda e mais mal humorada que a outra.
Nada contra enfermeiras ou mulheres chonchudas, mas cadê aquelas enfermeiras loiras de corpo escultural que sempre aparecem nos filmes que vem lá dos States?
Pelo menos uma, vai!
Pois ela me apareceu na quinta noite de internação. E quando digo apareceu é porque ela apareceu mesmo, como um fantasma. Eu estava meio que dormindo meio que acordado, e de repente ela se materializou no meio do quarto, em meio a uma névoa azul… parecia azul. E não usava uniforme igual às outras enfermeiras, vestia apenas uma espécie de túnica, também branca, mas transparente… eu podia ver o seu corpo por inteiro, até os pelos da chenka.
Eu ia puxar conversa, perguntar que tipo de remédio ela ia me dar, mas quando ela se aproximou e via bem de perto o seu rosto, quase sarei na hora… quer dizer, quase saio arrastando equipamento de soro, lençol, tudo. Já nem lembrava que uma das pernas estava imobilizada.
– Você! – foi a única coisa que falei, antes de travar tudo, a voz, as mãos, os braços, e por pouco não travo a respiração também.
Ela não falou nada, apenas ficou me olhando, foi chegando mais perto, levando a sua mão até o meu peito, descendo pela minha barriga, entrando por baixo daquela roupa de hospital, que era aberta na bunda… e pegando o meu membro.
Pegou, apertou, colocou na boca, subiu por cima de mim e sentou.
Maravilha?
Seria, se a sua mão não estivesse gelada, se a sua boca não estivesse gelada, se o seu sexo não fosse um túnel de gelo.
Fiz de tudo para acordar, mas não consegui, e estava todo molhado de suor quando ela terminou (e só ela terminou), desapareceu, e apareceu uma enfermeira de verdade para ver o que estava acontecendo, pois o monitor cardíaco esta a ponto de estourar de tanto que apitava.
Alívio?
Nem um pouco. Cheguei a pedir estimulantes para não dormir mais. Não me deram, e eu não tirava a imagem dela da cabeça.
Quando adolescente, lá no interior, levado pela espantosa religiosidade da minha mãe, eu era coroinha (sacristão, na verdade) da igreja e estava tudo preparado para seguir para o seminário, depois, para ser padre.
Só que eu era um coroinha meio atormentado pelos mil sorrisos de uma menina, linda e meiga como ela só, e com quem eu poderia até arrumar a minha vida, pois ela era filha de um dos mais ricos fazendeiros da região.
Ela me sorria no primeiro banco da igreja, durante a missa, me sorria nas sessões da tarde do cinema da cidade, me sorria quando passava em frente ou entrava para comprar alguma coisa no armazém do meu tio, onde eu trabalhava. Ou então quando pediam para fazer a entrega e eu tinha de ir lá na casa dela… ela é que aparecia para receber as compras.
Mas eu ia ser padre…
Não preciso falar mais nada, não é?
Cheguei a ir para o seminário, estava lá fazendo os meus estudos, quando, numa certa noite, de repente, do nada, senti uma sensação estranha, ruim, libertadora, sei lá que porra mais, e me perguntei:
– Mas o que é que estou fazendo aqui?
Larguei tudo, voltei para a minha cidade, e minha mãe que chorasse, mas eu não queria mais ser padre, eu queria era encontrar aquela menina, namorar com ela, casar com ela, viver o resto da vida com ela… tudo nas boas intenções.
– Mas ela morreu, filho.
Minha mãe quase me mata do coração quando falou que a menina tinha morrido num acidente de carro que o pai dirigia, tinham caído numa ribanceira.
Entrei meio que numa depressão e, para esquecer tudo, vim para São Paulo, estudei, trabalhei, casei, criei filhos…
E agora me vem a morta fazer sexo lá no hospital.
Quer dizer… a verdade é que ela fez sexo em mim, pois fiquei travadão que só e só senti aquela gelidão toda do corpo dela.
Pois bem, a noite seguinte foi chegando, eu não queria sonhar outra vez, pois achava que era sonho, mas acabou acontecendo tudo igual… até a enfermeira de verdade correr pra me socorrer.
Contei pra ela o que tinha acontecido, ela acreditou que não era sonho, mas, sim, a própria pessoa que estava realizando a sua antiga paixão.
– Mas ela está morta.
– E daí? Por que não aproveita?
– Aproveita o quê, como…? Só fico travado.. ela está morta e…
Relaxa, espera ela vir, toca nela, faz com ela direitinho… até beija… Você vai ver como vai ser bom.
Tocar nela como? – eu pensava, se na hora eu não conseguia mover sequer um dedo. Melhor mesmo é que ela não aparecesse mais.
Mas ela apareceu. E ao contrário das duas noites anteriores, estava mais viva… quer dizer, parecia feliz, alegre, queria sorrir… e pegou a minha mão. Me preparei para o gelo, mas estava quente, normal. Me encorajei a puxá-la para cima de mim e ela subiu (acho que flutuou, não sei) na cama, ficou de cavalinho sobre o meu corpo…
Não sei quanto tempo ela ficou comigo, mas sei que parecíamos um casal apaixonado em lua de mel, seu corpo estava quente, fogoso, seus lábios um doce, um mel, seus orgasmos intensos… e os meus, então, quase arrebentam os pontos das minhas suturas.
Mas se foi. Num certo momento ela foi se levantando de cima de mim, foi se esvanecendo… e nem falei ou perguntei nada por, simplesmente, eu estava já só esperando pela noite seguinte.
Só que a noite seguinte veio, depois veio outra, tive alta do hospital… e ela nunca mais apareceu.

 


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