E a Silvinha foi de shortinho, mas… (Assine)

E a Silvinha foi de shortinho, mas…

Fábio E. R. (1992)

Vila Buarque – São Paulo – SP

Logo que comecei a minha carreira de professor achei que ia comer mais que porco capado, e por sorte eu não era capado, pois o mulherio estava caindo em pencas. Depois, com o passar do tempo, a coisa foi voltando ao normal… quer dizer, nunca me faltou calor e umidade feminina, e nem me falta hoje, aos 32 anos e eternamente solteiro; mas como naqueles tempos, nunca mais.

E talvez tenha sido até melhor assim, pois se continuasse como antes é provável eu nem estivesse aqui para contar minhas histórias ou, pelo menos, uma das minhas histórias; a que segue.

O lance começou com a Selma, uma morena tipo comum, bonita, olhos vivos, cabelos negros e longos, seios médios, e coxas e bunda não muito exuberantes, bem feitinhas, mas nada que chamasse muito a atenção.

Mas se ela não me chamou muito a atenção, eu chamei a atenção dela, pois desde o primeiro dia ela já se mostrava muito amigável, atenciosa, sempre disposta a me ensinar os macetes da escola, as fofocas que corriam soltas, as esquisitices da diretora, as dívidas de uma, as manias de outra e, logo, já numa fase mais avançada das conversas, os segredos por detrás das paredes, quem comia quem… os rolos que rolavam: professor tal com professora tal, a diretora com professor de educação física, o auxiliar administrativo com a funcionária da limpeza, a secretária com encarregado o da manutenção… Claro, havia também casais legalmente constituídos, que não tinham nada a esconder de ninguém ou, ainda, casais que não podiam ou não ficava bem tornar pública a união.

– O professor Delmo e o professor Valdir… nem parece, mas…

– E você… se enrosca com quem?

– Eu…? Imagina! Não sou dessas, não. Só estou te contando tudo isso porque não me conformo com tanta falsidade entre as pessoas.

Um mês e pouco depois eu estava comendo a professora Selma ali mesmo, na escola, nos fundos do estacionamento, sob o escurão de umas árvores, no banco de trás do carro. Quer dizer, começamos no banco da frente, passamos para o banco de trás e na última estávamos do lado de fora, em pé.

– Briguei com o meu namorado. Já faz tempo que a gente não dá certo. Agora é definitivo, acabou. Sou toda sua.

Minha ideia inicial era levá-la a um motel, mas ela dizia que não podia ir, de modo que o fundão do estacionamento passou a ser o nosso local de despedida quase todas as noites, depois de encerradas as aulas. Já deixávamos propositadamente os nossos carros lá nos fundos e, assim, quase não falhávamos; todas as noites, pelo menos uma.

Para mim estava ótimo, ficava mais barato e só precisei fazer uns agrados para o vigia e também porteiro da noite para que ele não levantasse poeira.

E no mais, eu tinha os meus enroscos antigos, cultivava alguns novos, menos na escola, apesar de muitas indiretas e entradas, pois manter o emprego era fundamental. Faltou dizer que era uma escola particular e o salário um dos melhores.

Mas aí apareceu a Sílvia ou Silvinha, como era chamada, pois era pequena, tudo em escala reduzida, mas tudo nas proporções devidas. Se eu tivesse de resumir a menina como matéria de prova, seria uma palavra só: tesãozinho.

E aquele tesãozinho… quer dizer, a Silvinha, virou a minha cabeça, me deixou fora de órbita. Com tantas outras ofertas e eu só tinha interesse nela, só tinha olhos pra ela, transava com outras pensando nela.

E as outras ou, pelo menos a Selma, não demorou a perceber.

– Já não me quer mais todos os dias, sai mais cedo, antes de mim, de propósito, anda deixando o seu carro lá na frente, ai lado do carro dela…

– Mas… mas…

Mulher enciumada quando desanda a falar!

– Mas pode esquecer, viu! Conheço ela muito bem, estudou comigo, já nasceu grudada ao namorado, você não tem a menor chance, não vai conseguir nada com ela e ainda vai acabar me perdendo.

– Não é nada disso. Vamos num motel que te mostro o quanto eu ainda te quero.

– Motel eu não posso… Faz gostoso comigo, hoje, faz!?

Então, para manter a serenidade das coisas, lá ia eu com a Selma, mais uma vez. Certo que eu gostava, principalmente quando vinha de algum atraso, mas já não era a mesma coisa, eu transava com ela pensando na Silvinha.

Ô paixão idiota!

E quando lembro que por essa época recebi, e recusei, uma oferta mais que explícita de uma linda aluna do colegial, aí sim é que sinto que fui meio bobo, mesmo inventando que recusei a menina por medo de me envolver com alunas e ser demitido.

Silvinha, Silvinha, Silvinha!

O que tem de ser, será.

O namorado da Silvinha… o já odiado namorado da Silvinha, também professor, noutra escola, estava fazendo mestrado e precisava de alguns livros e eu tinha esses livros e outros mais que podiam servir para ele.

– Você empresta? – pediu-me a Silvinha

– Só empresto se você vier de shortinho. – arrisquei… quer dizer, dei o meu primeiro tiro.

– Como é que é? – ela perguntou, sem entender nada.

E como ninguém mais entendeu, vou explicar.

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