Margarete… uma mulher no swing (Assine)

Margarete… uma mulher no swing

Margarete E. O. (1985)

São Paulo – SP

Eu

Não vou me apresentar, pois que a minha história se encarrega de me desnudar por completo.

Namoro e casamento

Dizem que o amor é cego, e nem precisei de muito esforço para descobrir isso.

Aos 23 anos, quase 24, saindo da faculdade com o meu diploma de curso superior e também de um namoro que, nem sei como, havia perdurado por quase cinco anos à base de tapas e beijos, mais tapas do que beijos, consegui meu tão sonhado emprego numa multinacional, com o salário que eu bem desejava para ajudar a sustentar meus pais, já que sou filha única; ele, em vias de se aposentar, ela, doméstica, no mais literal sentido que a palavra doméstica pode ter.

Mas há casos, como o meu, em que a cegueira não conduz para o lado ruim. Muito pelo contrário.

Tudo indicava para mim uma guinada mais que perfeita na vida. E tudo mudou mesmo.

Já na primeira semana de trabalho fiquei cega, quando o Gustavo chegou até a minha mesa e de lá não saiu mais. Se eu não conhecia a expressão “dar de cima”, acabei conhecendo em tão pouquíssimo tempo.

Mas conheci outras coisas também.

– Chiiiii! Carne nova no pedaço e o garanhão já se assanhou todo.

– Já tá comendo! Aposto e ganho!

– Que nada! Essa aí tem cara de menina séria, não parece ser como as outras.

– O que você quer dizer com “as outras”? Tá me chamando de vaca, por acaso?

– Mas nem pensei nisso, santa. Aliás… você também já deu pra ele?

Que coisa!

Eu não fazia nem ideia de que o ambiente corporativo era aquilo ali. Não foi nada disso que aprendi no meu curso de Administração.

As fofocas corriam soltas; já havia gente quase se pegando nos tapas e eu só via a hora em que o chefe ou o diretor fosse chegar e dar a sentença:

– Assim não dá, garota. Você já chegou causando um tsunami na seção, na firma… Veja se te alinha, se comporte!

– Mas o que foi que eu fiz?

Vou contar o que foi que eu fiz.

O pessoal tinha toda razão, pois menos de um mês após ser admitida o Gustavo já estava me comendo direto… quer dizer, era assim que o pessoal falava; e como falava!

Mas a verdade é que ele só havia me comi… só havíamos saído uma vez.

Naquele primeiro mês, foi só uma vez.

No segundo, eu já estava perdidamente apaixonada; no terceiro, no quarto…

No quarto do motel eu estava grávida.

Um descuido de quem não estava muito acostumada com a coisa, pois com o namorado anterior, com quem, aliás, eu havia perdido a minha virgindade, nossas saídas eram planejadas com muita antecedência.

Eu tinha tempo de me preparar, me precaver.

Nunca tinha acontecido coisa alguma às pressas, como dentro do carro, no estacionamento da firma, por exemplo.

– Mulher minha não trabalha fora. Faço o maior gosto em casar com você. Juro que vou mudar de vida, me dedicar só a você e ao nosso filho, porque vai ser homem… mas você pede as contas.

E adiantou todo mundo falar que eu ia quebrar a cara, pois que o Gustavo era um mulherengo incorrigível e não ia ser eu, com esse jeito de banana, quem ia fazer ele deixar de ser galinha?

Foi uma cerimônia simples, apenas os familiares e alguns colegas da firma, mas uma cerimônia suficiente o bastante para eu ouvir que devia me preparar para ser a “corna” do século.

Mas jamais fui traída. Tenho certeza disso.

E a minha certeza não tem nada a ver com a minha cegueira amorosa. A certeza veio de um Gustavo que ia da casa para o serviço, vinha do serviço direto para casa, só parava na padaria para comprar lanches, pizzas, guloseimas, e também algumas cervejas nas sextas-feiras, quando então, aquelas nossas “comemorações” quase diárias, mesmo durante o período da gravidez, se faziam ainda mais ardentes, mais apaixonadas… e mais estranhas para mim.

Falo em coisas estranhas porque não sei que outras palavras usar para descrever o meu marido, que logo se mostrou um tarado “antibíblico” que queria fazer comigo tudo aquilo que mamãe e vovó me ensinaram que eu não podia fazer de jeito nenhum.

Na verdade, elas nunca ensinaram nada, pois nunca conversamos sobre essas coisas, mas era como se tivessem ensinado e eu me escandalizava.

Ia me escandalizando cada vez menos, é verdade, mas sempre que eu imaginava que já tivesse feito tudo, ele aparecia com uma novidade.

O fato é que o Gustavo, o transformado Gustavo, o bom marido, esse sim me ensinava tudo… de boquete cremoso à rosquinha alternativa, tornei-me uma pervertida.

– Céus!

Isso sem contar que as expressões dele não eram exatamente as que estou usando aqui. Acho que nem tenho coragem de escrever.

Mas tudo bem, tudo maravilha, simplesmente porque tudo parecia uma maravilha e no fundo… bem lá no fundo, eu queria mais era dizer:

– Sabe que gostei!

E, então, veio aquele período da gestação em que, por força da natureza, a gente teve de dar um tempo. Não que ele já não me procurasse… com a mão, com a boca… mas, sim, porque eu já não me sentia muito à vontade, com vontade. As gestantes me entendem!

E foi por esse período, depois que o bebê nasceu, uma menina, e não um menino, como ele tanto queria, foi por essa época que minha mãe, eterna ajudante, encontrou um cartão no bolso da camisa que estava colocando para lavar, não entendeu nada e me entregou.

BLUE NIGHT SWINGERS

Venha curtir o prazer do sexo liberal

Venha….

Que diabos era aquilo?

Nem cheguei a ler direito.

Me desmontei, chorei, cheguei a preparar a sacola do bebê para nos transportamos de volta à casa dos meus pais.

– Pode me explicar que diabos é isso?

– Mas claro que posso! Com muito prazer. Aliás, é pensando em prazer que peguei esse cartão com o Walter e…

Eu simplesmente não podia acreditar, conforme ele me explicava, que o Walter e a Simone (nomes trocados), um dos casais mais antigos lá da firma, casados no civil e no religioso, com filhos já adolescentes, um exemplo de pais… frequentassem esses ambientes mundanos.

E menos ainda eu podia acreditar que o Gustavo havia pedido ao colega aquele cartão com o simples propósito de me levar num lugar daqueles.

– Se você quiser pode ir sozinho, nem me importo. Mas já não chegam as coisas que você me obriga a fazer? E agora quer que eu vá fazer putaria com outros homens que nem conheço, e que…

– Calma Maria! Calma Maria! – ele dizia, usando essa forma cômica de me abordar, de me chamar a atenção.

– Como é que eu posso ter calma! Você tem ideia do que está me propondo? Estou até vendo… todo mundo pelado, todo mundo comendo todo mundo, aquela mulherada sem vergonha se arreganhando pra tudo quanto é homem, aqueles…

– Me escuta! – voz autoritária, do tipo que indica que é realmente hora de escutar. – A Simone não é nenhuma sem vergonha e você sabe disso. E também não é nada disso que você está pensando. O ambiente lá é de…

– Ah! Então já conhece, já foi…!?

– Pelo amor de Deus, mulher. Se eu quisesse ir sozinho, não estaria te convidando… Mas me fala uma coisa: quer dizer que tudo isso que a gente faz, você só faz por obrigação, é?

– Não muda de assunto.

Exatamente dois meses, dezessete dias e umas vinte horas depois dessa discussão, eu estava no banco de trás do carro com o Gustavo, enquanto o Walter e a Simone, no banco da frente, nos conduziam até a casa indicada naquele cartão.

Antes havíamos conversado por um bom tempo num bar. A Simone havia falado em particular comigo, dizendo que eu não devia me preocupar, que a coisa não era nada daquilo que eu imaginava, que…

– Mas eu não quero me deitar com outro homem.

– Pois não deite… Você não é obrigada. Mas vamos lá conhecer e você vai compreender melhor.

Juro que logo ao passar por aquela porta vai-e-vem e adentrar entrar naquele ambiente um tanto escurecido, eu vi mulheres nuas dançando sobre as mesas, casais fazendo sexo no chão, uma mulher com três homens em cima do balcão… e só esperava algum homem que fosse me agarrar e me levar para um canto qualquer.

Mas não vi nada disso.

– Não te falei que não era nada do que você estava imaginando?

– Tem razão, vocês todos têm razão. – eu dizia, mas com a certeza de que qualquer momento eu ia começar a ver coisas “espantosas”.

E nenhum homem foi me agarrar, nenhum homem transou comigo e não transei com ninguém, a não ser com o Gustavo, mais tarde, já de volta para casa.

Tudo o que vi, tudo o que aconteceu, foram pessoas, casais, homens, mulheres, conversando, bebendo, dançando, trocando beijos.

E havia também alguns que sumiam lá por uns cantos. Mas não fui por lá e nem tive curiosidade em saber o que havia por aqueles cantos.

– Gostei.

– Topas ir novamente?

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