Memórias de um taxista falido (Assine)

Memórias de um taxista falido

Santos T. F. (1979)

Cidade Júlia – São Paulo – SP

Nunca imaginei que um dia iria escrever coisas como agora estou escrevendo aqui, simplesmente porque nunca pensei nessas coisas, e se comecei a pensar, se comecei a fazer, deve ser por culpa do Tal… só pode ter sido tentação.

Me explico.

Estou na casa dos 30, mas sempre fui, e ainda sou, modéstia à parte, bem apanhado, do tipo que provoca suspiros nas meninas… quer dizer, nas irmãs, porque sempre só tive olhos para uma certa menina da minha igreja, que foi a minha primeira e única namorada e, desde cedo, a minha esposa.

Além de um porte físico atraente, e desperdiçado, vim descobrir há algum tempo, sou também muito atirado nas coisas da igreja, sempre tomando iniciativa, ajudando em tudo, a ponto de chamar a atenção do nosso bispo, que começou a ver em mim… na verdade, começou a me preparar para ser um pastor, dizendo que sou muito eloquente, tenho potencial para ser um bom pregador e…

E porra desgraçada de igreja e religião que nunca me trouxeram nada de bom!

Não se admirem de me ouvir falando… ou escrevendo assim, mas a verdade é essa mesmo, pois, tirando a minha esposa, um amor de mulher, e nosso casal de filhos, uns amores de crianças, tudo o que a vida religiosa me deu foi uma casa inacabada para morar, uma vizinhança desgraçada para suportar, e uma situação financeira que nunca se ajeita. Só não chegamos ao ponto de passar fome, mas dinheiro nunca sobrou e, menos ainda conseguíamos juntar algum.

Tinha, desde aprendiz, um emprego onde eu era bem quisto, mas mal remunerado. Elogios nunca me faltaram, mas aumento que é bom, só esperança.

Era bem quisto na igreja, tinha a admiração do pastor, do bispo, de outros membros, mas, em troca do dízimo que eu tinha de pagar todo mês eu não via nenhum retorno.

Nem sequer um carrinho decente para carregar a família eu tinha… minha ximbica velha só vivia enguiçando e me fazendo passar vergonha diante do carro zero quilômetro do pastor, do carrão esnobe do bispo… só que a ficha não me caía.

Minha única conclusão é que eu não sabia fazer as coisas direito, não sabia lidar com o dinheiro… e que precisava de mais um emprego.

A ideia de mais um emprego ou, pelo menos, alguma atividade extra, surgiu depois que um membro da igreja falou que estava trabalhando com táxi, que arrendava um carro, que conseguia levantar um bom dinheiro.

Minha esposa não gostou muito da ideia de eu esticar o trabalho. Dizia que já era cruel trabalhar o dia inteiro, que ela e as crianças estavam bem assim, que isso, que aquilo… mas acabou concordando, mesmo temerosa e compadecida, sempre dizendo que Ele iria nos recompensar.

– Quando? – perguntei a ela num certo dia, e logo bati na boca, por estar blasfemando.

Mas logo descobri que Ele continuava insensível à nossa situação e pouco interessado em ajudar, pois já ia pelo segundo mês de dupla jornada e tudo o que eu fazia mal dava para pagar o aluguel do carro. Vivia mais cansado que antes, e tão sem dinheiro quanto antes.

E então…

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