A loira que ninguém comia (Leia)

A loira que ninguém comia

Paulo. L. J. (1994) – Maringá – PR

Transcrito por Anna Riglane

Faz tempo que já reparei que em todo lugar, na escola, no trabalho, na galera, sempre tem aquelas meninas que todo mundo quer comer, e tem aquelas que ninguém liga e até mesmo evita.

Claro que as mais desejadas são aquelas mais bonitinhas, mais certinhas, mais simpáticas ou, então, as que parecem mais difíceis.

Do lado contrário, isto é, entre aquelas que ninguém chega perto, estão as feias, as gordinhas, as antipáticas, e também aquelas fáceis demais, que todo mundo já comeu.

Porém, já no terceiro ano de faculdade, quando fui convidado a participar de um projeto de pesquisa num grande laboratório farmacêutico, conheci a Lidgia, uma menina que era o contrário de tudo.

Lidgia, menina Loira, linda de rosto, um corpo escultural, simpática, do tipo que todo mundo quer comer.

Só que, novato por ali, e meio distante dos meus contatos, pois que tive de mudar de cidade, eu estava para pegar qualquer coisa, quanto mais uma graça de menina como ela, mesmo sem saber ainda se ela era do tipo que todo mundo queria comer ou se todo mundo já tinha comido.

E como eu também não conhecia muita gente por ali ainda, nem fui avisado da fria que eu estava para entrar quando comecei assediar a garota, convidando-a para um lanche na cantina, uma cervejinha no barzinho mais próximo, uma caroninha.

E glória! Logo ela já estava entrando na minha, aceitando os meus convites, menos a carona… até desconfiei que ela fosse do tipo fácil, mas, como eu estava necessitado, certo dia, logo na segunda semana, fui mais objetivo.

– Eu estava pensando, tipo assim, nós dois “numa banheira de espuma”…

– Por acaso, você está querendo me levar pra cama?

– Nossa! Você é bem prática, não? Já sacou logo.

– Saquei… e te falo por quê… é que estou a fim de ser levada.

Que me importa que todo mundo já comeu? – eu pensava. Vou comer também e pronto. Afinal, a beleza e a gostosura valem a pena.

Mas não foi tão fácil assim… quer dizer, foi fácil entrar no acordo, mas difícil conseguir um dia e horário para ela poder sair comigo. Nunca dava certo, parecia até que ela não estava querendo de verdade ou, então, que estivesse com medo de alguma coisa.

Só lá pela quarta semana é que, aproveitando um feriadão que começava na quinta-feira, ela concordou em sair comigo na sexta.

– Meus pais vão viajar… então a gente pode…

Eu não podia acreditar que ela, com aquele tamanho todo… quer dizer, com aquela idade toda, 23 anos, ainda tivesse medo dos pais na hora de namorar, sair com alguém. Nem me passou pela cabeça que o motivo podia ser outro.

E menos ainda pensei que aquela ou aquelas trepadas que eu tanto estava precisando pudesse colocar tudo em risco… o projeto, a faculdade, a minha carreira.

O que eu queria a todo custo, o que eu precisava, era comer aquela coisinha, mesmo que eu fosse o trigésimo nono da fila.

Mas quando, finalmente, entramos no motel e ficamos a sós, por algum momento cheguei a pensar que eu era o primeiro.

Logo percebi duas coisas.

A primeira coisa foi que ela parecia um tanto encabulada, meio sem jeito, chegando até mesmo a pedir para eu apagar ou, pelo menos, diminuir a luz antes de tirar a sua roupa.

A segunda coisa, já só de calcinha, foi que ela demonstrou um apetite mais do que voraz, parecendo mesmo que fazia meses que não transava, que não dava uma.

Parecia até que era a sua primeira vez… medo e tesão misturados.

E como eu também estava voraz, no toco fazia um bom tempo, tiramos todo o nosso atraso, transando de tudo quanto é jeito e praticamente sem descanso.

Ela ficava por baixo, por cima, cavalgava, mexia, remexia, chupava, queria ser chupada, ficava de quatro… deixou até eu colocar atrás, disse que gostava, mas que fazia anos que não levava no traseiro.

– Anos que não leva atrás, por quê? – perguntei, para, então, começar a descobrir coisas que eu nem suspeitava, que sequer podia suspeitar.

Ela começou a se abrir.

– Por quê…? Bom… primeiro porque não sei o que ele vai pensar de uma menina que faz isso, e depois, porque nem sei se ele consegue.

– O que ele vai pensar… se ele consegue… Quem é ele, afinal?

– Meu marido.

– Seu marido… você é casada?

– Sou… quer dizer, quase sou. Vivo com ele desde os quinze anos… então somos marido e mulher, não é?

– Certo. Mas por que você diz que talvez ele não…?

– Ele não consegue… Bom…ele mal consegue pela via normal… atrás é que ele não vai conseguir mesmo, não é?

– Sei lá… mas você diz que gosta… então já fez.

– Já. Mas foi lá no interior… os meninos…

– Os meninos? – perguntei, meio surpresa, diante da sua pausa.

– Ah…! Deixa eu contar. Tinha um menino que me queria… pra namorar mesmo, coisa séria. Mas eu gostava de outro menino, meu pai não me deixava namorar, e minha mãe vivia falando que seu aparecesse de barriga ela me colocava para fora de casa… e colocou mesmo.

– Você engravidou?

– Não. Nem tinha como… eu só deixava atrás.

– Entendi. Mas com qual deles você ia.

– Com os dois.

– Com os dois… Mas olha que sapeca! Mas ia com os dois ao mesmo tempo?

– Não, né! Primeiro fui com o menino que eu gostava, depois fui com o menino que gostava de mim… ia com um, ia com o outro, até que…

– Até que…? Fala!

– Um dia o meu pai viu… Eu estava na beira do rio, com o menino que eu gostava, a gente já tinha feito, mas estava muito calor e resolvemos tomar banho…

– Pelados?

– Não. Nem ele estava. Eu tinha vergonha de tirar a roupa e também não queria ficar olhando ele.

– Mas como é que tomaram banho, então?

– Só da cintura para baixo. Ele ficou só de camisa e eu levantei o vestido, e então…

– E então…?

– Então vi o pai descendo o barranco com um pedaço de pau na mão… tomei um carreirão daqueles, nem peguei a calcinha. E o menino, nem sei como, conseguiu pegar a calça e saiu correndo com ela na mão, foi para o outro lado… Por que está rindo?

– Estou imaginando a cena. Mas e aí… seu pai te alcançou?

– Alcançou, mas eu já estava chegando na casa da tia e ela me protegeu. Só voltei para casa depois de uma semana.

– Aí apanhou?

– Não. Ela é irmã mais velha do meu pai e fez ele jurar que não ia me bater. Ele não bateu, nem a minha mãe, mas ficou uma coisa estranha, ela ficava o tempo todo me falando que eu podia ter ficado de barriga, eu jurava que não tinja feito nada… minhas irmãs mais novas ficavam me perguntando como era… elas não sabiam que eu tinha feito só atrás… meus dois irmãos mais velhos também não sabiam, e viviam dizendo que iam matar o menino, dar uma surra nele… e então ele apareceu.

– Ele… ele quem?

– O meu marido. Vou contar. Era final de ano e apareceu um homem… ele, numa fazenda perto da nossa casa. Ele me conheceu, gostou de mim, quis me namorar, mas eu nem queria… ele tinha 48 anos, até que era bonito, mas era bem velho para mim. Só que depois de falar comigo e receber um fora, ele foi falar com os meus pais, dizendo que podia me dar uma vida melhor, me dar escola, emprego bom… e também que podia ajudar meus pais e meus irmãos…

– E…?

– Sou uma puta, não sou?

– Puta! Puta por quê?

– Por quê…? Porque eu me vendi, aceitei vir embora com ele.

– Mas isso não faz de você uma puta. Você já não estava bem lá com os seus pais, ele te quis como companheira… Puta você seria se…

– Se…?

– Você sempre trai ele?

– É a primeira vez.

– Acredito.

– Verdade. Uma vez até quase fui com alguém… mas me arrependi a tempo.

– Se arrependeu?

– É… o caso é que ele é uma boa pessoa, sabe. Dá tudo para mim e para a minha família, me trata com o maior respeito e educação, só é um tanto cerimonioso nessas outras coisas e, nos últimos tempos, parece que anda meio fraco. Por isso, entendeu?

– Por isso o quê? Que você se arrependeu de ter ido com outro?

– Eu não fui com outro, não deu tempo.

– Como assim?

– Faz dois anos, no meu primeiro ano da faculdade, era um colega… comecei a me engraçar com ele, já estava mesmo disposta a ir com ele, mas o meu marido descobriu…

– E melou tudo.

– Sabe o que ele fez? Mandou alguns seguranças do laboratório ir conversar com o rapaz.

– Eita! E eu aqui com você…! Mas espere aí… o que aconteceu com o rapaz, e por que seguranças do laboratório?

– Bom… com o rapaz não aconteceu nada, só convenceram ele a pedir transferência para outra unidade.

– Sim… mas e os seguranças… por que gente do laboratório… quem é o seu marido, afinal?

– Meu marido…? Meu marido é a pessoa que te convidou a trabalhar com ele… é o diretor do projeto… meio dono do laboratório.

– Tá maluca! Ou eu é que tô maluco? Não quero perder o emprego, não… nem quero conversar com os seguranças.

– Calma! Calma que ele nem desconfia de nada. Da outra vez acho que dei muita bandeira… agora acho que aprendi… e quero mais.

– Quer mais? Quer me ver apanhando daqueles brutamontes?

– Claro que não! É isso nunca vai acontecer, e eu quero mais é agora, quero atrás, de novo, gostei desse creme aí que você passou, deixa lisinho.

– Creme…, não é creme, é gel. E você nunca usou?

– Não. Lá não tinha essas coisas.

– Não tinha? E vocês usavam o quê, então?

– Nada. Só cuspe.

– Só cuspe… a seco… devia doer pra caramba.

– Só doía.

– Doía… Mas você disse que gosta, que gostava.

– Gostava… por que, não?

– Doía, mas você gostava?

– Hum hum…! Mas com esse creme aí não doeu, não… nem um pouquinho.

– Sei… mas sabe o que vai doer… e doer em mim…? Aqueles brutamontes.

– Vai, não. Juro que estou sendo e vou continuar sendo a mais discreta do mundo, a gente bola um jeito de continuar se encontrando sem dar bandeira, sem ficar de conversinhas lá no laboratório… agora passa esse creme aí, passa…

Passei, né!?

Ainda tinha energia e, mais que isso, nunca que eu ia rejeitar uma bundinha como a dela, que já estava comida, mas queria mais.

E eu também queria mais… depois eu pensava na surra, nas mãos enormes daqueles seguranças, nos meus estudos.

 


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