Suélen… O bárbaro segredo de uma menina linda e meiga, assassina e inocente – Partes 5/15 (Leia)

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Anna Riglane

Suélen… O bárbaro segredo de uma menina linda e meiga, assassina e inocente – Partes 5/15 (Leia)

À dor que cada um de nós carrega em silêncio

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 ÍNDICE

A vida não tem índice, não tem sumário, não é dividida em capítulos, os acontecimentos não são estanques e tudo é uma sucessão de fatos alegres, tristes, tristes, alegres… que vão se entrelaçando.

Difícil entender a vida, como difícil é, também, compreender ou até mesmo saber os segredos que cada um carrega.



Parte 5

Dormiu perguntando-se como estaria a pobre menina na prisão. Estava ainda numa delegacia, a televisão, os jornais, o rádio, tentavam saber da garota, mostrar sua cela, a comida que lhe serviam, aqueles que dela cuidavam, as visitas que estava proibida de receber, se é que alguém desejava mesmo visitá-la.

Ele desejava.

Resolveu que iria tentar novamente, que iria falar com ela, e talvez até contar a verdade ao delegado. Se ficasse preso, pelo menos estaria junto dela.

Dormiu.

Mas seu sono foi entrecortado por pesadelos, os mesmos pesadelos que já vinham lhe atormentando há dias.

A voz de Doutor Sérgio era rouca, sofrida, a de dona Marina parecia trazer sangue junto com as palavras.

O sangue de dona Marina na cozinha da casa, a cozinha onde ele tanto brincara quando pequeno, onde tantas vezes fora trocar o garrafão d´água, o botijão de gás.

Agora aquela cozinha estava cheia de sangue e a voz de dona Marina surgia do chão, junto com o sangue, formando uma massa única, disforme, horrível, assustadora.

A voz de dona Marina tentava reanimar o corpo do marido morto ao seu lado.

Ele não respirava.

Danilo não respirava.

Acordava assustado, a respiração ofegante, sua boca parecia cheia de sangue.

Pensava em Cátia.

Todos esses dias ela esteve ausente.

Nem pelo telefone havia criado coragem de falar com ela, preferiu esperar o momento certo, vê-la pessoalmente.

Cátia era sua última esperança, seu refúgio. Mas agora esse refúgio havia se fechado, trancafiando-se na dor e na mágoa.

E não podia culpá-la.

Se pudesse gritar a verdade!

Mas por que não podia gritar a verdade?

Sem dormir, olhando para o teto daquela sala que agora era o seu novo quarto, tentava rever seus últimos momentos com Suélen, os últimos anos com Suélen.

Um sentimento de culpa o invadiu.

Percebeu, então, que durante todos aqueles anos a garota viveu mudada, diferente, talvez até mesmo pedindo socorro de alguma maneira, e ele esteve insensível, sem conseguir perceber sua angústia.

Essa é, talvez, a dor maior de qualquer ser humano, a tristeza de perceber que as coisas aconteceram sem que fossem sequer notadas, e que quando se descobre, já é tarde para desfazer o mal causado.

Mas por que pedia socorro a menina Suélen?

Seria mesmo possível acreditar que ela tivesse algum problema de loucura ou coisa assim? Se naquela sexta-feira, em nome de uma aventura, ele não se importava por ter sido usado, começou então a pensar em odiar-se.

Seria mesmo verdade que aquele convite, aquela saída, não tinha nada a ver com testar a sexualidade de Suélen? Será que alguém testa a sexualidade assim, de repente, com um simples encontro?

Ou tudo não passava mesmo de um plano que a menina já havia arquitetado e do qual ele fazia parte?

Por que ela disse à polícia que eram namorados?

Mas se ele fazia parte do plano, por que então querer inocentá-lo depois? Seria porque, talvez, não confiasse em sua própria força para matar os pais.

Ela precisava de um braço mais forte?

No domingo, dia 21 de maio, era aniversário de Suzana.

Por que Suélen lembrara do aniversário da irmã naquele dia? E mais, por que lembrar de repente, a partir do nada?

Várias vezes, naquele domingo, lembrou-se de Suzana, do seu aniversário.

Por certo que nem festa iriam fazer.

Não havia clima.

Mas nem ligar para a garota ele podia.

Por certo que os tios não lhe permitiriam falar com ela.

E chegou a segunda-feira.

A primeira coisa que fez tão logo o sol transformou a noite em dia, foi ligar para a casa de Cátia, esperando encontrá-la antes que saísse para o serviço.

Mas já havia saído.

Falou com sua mãe, pediu com todas as suas forças que esta transmitisse à filha o recado de que ele a amava muito, e que merecia sua confiança.

A mulher parece tê-lo compreendido, recomendou que ligasse no serviço da filha, mas ele achou que não teria mais coragem.

Tanto precisava falar com Cátia, e a temia.

Encheu o tanque da moto e rodou até a hora do almoço.

Andou pelas ruas da cidade, coisa que tanto gostava de fazer.

Passou perto da casa onde até alguns dias antes era a sua casa, o seu quintal, o seu mundo.

Não pode chegar.

Havia seguranças guardando no local, pessoas curiosas parando para olhar, mostrar indignação.

Passou próximo à delegacia onde estava presa Suélen.

Queria vê-la, atravessar multidões, quebrar as grades, ordenar a ela que contasse a verdade, que acabasse com aquele pesadelo.

Danilo sentiu vontade de chorar. Como se já não tivesse chorado muito nos últimos dias.

As notícias nos jornais e na televisão, mas principalmente nos jornais, começavam a ganhar maior concisão para todos, menos para Danilo.

Quanto mais as coisas se esclareciam para todos aqueles que acompanhavam o caso, mais se confundiam para Danilo.

Naturalmente, entrevistaram pessoas, todos os que, de uma forma ou de outra, conheciam ou tiveram algum tipo de contato com as pessoas assassinadas, menos o próprio Danilo e seus pais, escondidos como bichos do mato.

A empregada do consultório onde trabalhavam os dois apressou-se em dizer que não conseguia entender tamanha brutalidade com duas pessoas tão simples e bondosas como eram Doutor Sérgio e dona Marina.

E Danilo não podia discordar disso.

Sabia muito bem que os dois, apesar de serem médicos bem sucedidos em suas especialidades, de possuírem aquele consultório em bairro de classe nobre, não eram dados a fazer discriminação com as pessoas mais humildes.

Eram religiosos. Ainda que nunca tivesse se ocupado em indagar a  qual religião pertenciam, Danilo sabia, por meio de seus pais, que Doutor Sérgio e dona Marina participavam de reuniões com outras pessoas religiosas, contribuíam com festas e campanhas de caridade e coisas assim.

Eram, sim, pessoas humildes.

Tratavam bem tanto os empregados quanto qualquer outra pessoa, gostavam de ir à feira livre que acontecia todas as quintas-feiras em uma rua não muito próxima à residência, mas que, mesmo assim, faziam o percurso a pé, e lá comiam pastel, conversavam com os comerciantes, encomendava mercadorias. 

Um dos feirantes, por sinal, também apareceu em uma das reportagens, orgulhando-se de ter como cliente aquele médico de hábitos simples que, de vez em quando, lhe encomendava um ou dois litros de cachaça de alambique, trazida do interior.

– Homem que podia muito bem estar tomando uísque. – dizia o feirante. – Vinha aqui, apanhava a pinga, depois comprava frutas nas outras barracas para fazer batida no domingo.

– Ninguém tinha razão alguma para sentir ódio daqueles dois. – disse a mulher do pastel. Ninguém tinha razão alguma. Talvez só mesmo a filha desmiolada.

– Isso é o que dá mimar demais nossas crianças. – declarou um psicólogo. São mimadas a ponto de saberem ouvir um simples não como resposta.

Danilo sabia mesmo que ninguém tinha razões para assassinar Doutor Sérgio e dona Marina, a não ser as próprias razões que ele mesmo encontrou naquele dia, diante da situação em que se viu.

Mas sabia também que aquelas não eram as verdadeiras razões, que aquela situação não havia surgido naquele momento, do nada.

Sabia que existia algo muito maior por detrás de tudo aquilo.

Mas o quê?

Tanto Doutor Sérgio quanto dona Marina era realmente pessoas de hábitos simples. Gostavam de preparar almoços aos domingos, churrascos. Tomavam cerveja, batidas feitas com pura pinga de alambique.

Mas Danilo nunca viu nenhum dos dois alterados pela bebida, nunca beberam além daquilo que ele próprio costumava beber, uma cerveja ou duas, algum aperitivo.

Por isso Danilo não acreditava muito em algumas insinuações de certos jornais, que diziam ter a polícia encontrado vestígios de drogas nos corpos necropsiados.

Doutor Sérgio e dona Marina, com certeza não eram viciados em drogas.

Mas Suélen também não era.

Portanto, não tinha sentido as insinuações dos jornais, de que a menina havia drogado os pais para depois matá-los de modo mais fácil.

Essa era, aliás, a explicação que muitos encontravam para entender como uma garota tão frágil podia ter dominado dois adultos daquela forma.

Já pela terça ou quarta semana após o incidente, juntamente com todas as notícias encontradas e desencontradas dos meios de comunicação, apareceu também, agora com maior destaque, a figura do advogado para a defesa de Suélen.

Deu declarações aos repórteres, mas parecia muito mais ocupado em demonstrar a segurança das duas irmãs mais novas na casa dos tios, do que a verdadeira situação da moça.

Em uma longa entrevista, fez diversas comparações daquele caso com outros onde entram o envolvimento de paixões violentas, sexo e drogas.

Tudo o que Danilo percebia é que Suélen estava sendo incriminada cada vez mais, tanto pelo crime em si, quanto moralmente, e por aqueles que deviam defendê-la, pois as declarações dos tios de Suélen, e ainda de outros parentes, também não ajudavam muito, a não ser para afundar ainda mais o já triste destino da menina.

Se pudesse falar com as pequenas, mostrar a elas que a irmã não era nada do que estava sendo escrito e mostrado a seu respeito.

Talvez Cátia pudesse chegar até elas.

Na quarta semana, já com um certo atraso, conforme era comentado nos jornais, aconteceu a reconstituição do crime.

Suélen foi carregada na parte de trás de uma viatura de polícia, seguida por carros de emissoras de televisão, helicópteros, um exagero jornalístico.

Adentrou a casa com as mãos algemadas para trás.

Danilo também estava presente. Como havia participado do primeiro e também do último ato daquela tragédia, fora convocado a participar. Poderia ter-se negado a comparecer, mas aquela era sua chance de ver Suélen, tentar falar com ela, saber o que estava acontecendo, entender o que se passava na cabeça da menina.

Mas pouca chance teve de falar com ela.

Quando Suélen chegou, viu-a passar pelo quintal, algemada, cabeça baixa. Chamou seu nome, mas ela continuou andando, tal como estava. Também os policiais não permitiram que os dois se aproximassem.

Danilo foi o primeiro.

Contou como chegaram de carro, como a deixou na porta da cozinha e como se dirigiu para a casa dos fundos, tal como as coisas apareciam no relato de Suélen.

Depois contou e mostrou como fora chamado por Suélen em sua casa, de como ela estava nervosa, e de como correram para a rua, chamar a polícia, quando ela disse que havia brigado com os pais.

Não sabia exatamente o que dizer dessa parte.

Não sabia a versão que Suélen tinha contado na delegacia e, por isso, contou o que imaginou ser uma aproximação dos fatos.

Foi levado para os fundos da casa, enquanto Suélen fazia a sua reconstituição. Aguardou paciente até que tudo estivesse terminado e então esteve a alguns metros dela, tentando chamar sua atenção.

Mas Suélen permanecia de cabeça baixa.

Com um certo olhar de súplica, Danilo conseguiu que lhe permitissem dela se aproximar; esteve frente a frente com ela, ergueu seu queijo, olhou-a de frente, mas ela o ignorou, preferindo baixar novamente a cabeça e esperar pelo momento de ser levada de volta para a delegacia.

Que espécie de amiga é essa? – pensava Danilo.

Estava a dar partida na moto, já na rua, quando ouviu uma voz bastante familiar, chamando-o pelo nome.

– Cátia! Que bom te ver. Pensei que…

– Como é que eu poderia falar com você? Não sei onde mora, seu telefone.

Cátia era a pessoa caída do céu justo num momento em que Danilo mais precisava de um anjo.

– Você está sozinha? Quer uma carona? Só tenho um capacete…

A moça subiu na moto, abraçou-se ao corpo do namorado, e com ele cruzou as ruas da cidade, até sua casa.

– Você não devia estar trabalhando? – perguntou Danilo.

– Saí mais cedo. Não fosse assim, como eu poderia te ver?

– E você queria me ver?

– Não! Fui até lá por nada… por bobeira.

Mas só puderam realmente conversar quando chegaram à casa de Cátia. A menina parecia querer entendê-lo, aceitar a sua versão dos fatos, reconquistar a boa relação que tinham antes. Ofereceu-se para um beijo, dois, para outros carinhos.

Danilo não suportou a pressão em seus olhos e pôs-se a chorar, demoradamente, abraçado ao corpo da garota que amava.

– Vamos sair qualquer dia. – pediu ela, no momento da despedida, quando ele resolveu voltar para casa, estar ao lado de seus pais. – Faz tempo que você não me leva… você sabe.

– Você quer? – perguntou.

– Claro que quero. Sábado a tarde. Pode ser?

– Que bom!

– Bom o quê?

– Que bom que você não está mais com raiva de mim.

Se Suélen estava a fim de continuar com aquela história que não era a verdade, isso era problema dela, pensava Danilo.

Bem que gostaria de ajudar a menina, trazer a verdade dos fatos para todos.

Mas que verdade, se nem ele a conhecia de fato?

E se ela preferia evitá-lo, após tê-lo usado como usou, então que continuasse com a sua farsa, com a sua verdade.

Não iria ele sentir-se responsável por algo que não lhe dizia respeito.

Afinal, Suélen era apenas a filha dos patrões de seus pais, os patrões que ela matara. Por mais que ele tenha participado do crime, não fora mais que um objeto de uso da menina.

Devia mais era esquecê-la, deixar que pagasse sua pena na prisão.

Tinha uma namorada para amar, cuidar, dar carinho.

Em casa, parecia um tanto mais alegre.

Os pais notaram, festejaram, sentiram que as coisas começavam a tomar novos rumos. Tudo o que precisavam então era de novos empregos, novas ocupações.

A casa do Doutor Sérgio, de dona Marina, das três meninas, era um capítulo passado. Um capítulo bom, mas que se desfizera com sua última página escrita por uma garota desmiolada, um cérebro inconsequente que havia colocado seus desejos pessoais acima de tudo e de todos e que julgou encontrar a solução para tudo na eliminação dos próprios pais.

O sábado de Cátia e Danilo pareceu demorar uma eternidade a chegar, para os dois. Em casa a menina esperava ansiosa e a mãe parecia entender sua ansiedade.

– Vocês vão para a cama, não vão? – perguntou a mulher, enquanto a moça girava de um lado para outro na casa, aprontando-se, tomando banho, escolhendo a roupa.

– Ô mãe! Isso é modo de falar?

– E não é? Vocês vão aonde, então?

– Vamos passar algumas horas juntos, vamos nos amar um pouco. A gente merece, não merece?

– Passar horas juntos, se amar um pouco, tudo isso está certo. Mas não é isso o que vocês vão fazer. Vocês vão é…

– É o que? – perguntou a menina, diante da frase interrompida da mãe.

– Vão fazer putaria. – disse a mulher, de modo rápido.

– O que é isso mãe? – indignou-se a menina. Isso já é ofensa. Você acha sua filha com cara de puta?

– Não. Não acho. Mas também não acho certo fazer essas coisas antes do casamento.

– De novo com essa mesma conversa, mãe?

Cátia aproximou-se da mãe, colocando-se em sua frente e encarando-a nos olhos, num gesto extremamente carinhoso. Então continuou.

– Mãe… eu entendo você, sei o que você pensa, sei que na sua idade de namorar as coisas não eram assim como são hoje. Mas a senhora também precisa entender que as coisas mudaram.

– Mas eu entendo. Eu entendo. – disse de modo repetido a mulher. – Mas só quero saber o dia em que você engravidar. Será que aí o seu querido namorado vai continuar achando que as coisas mudaram?

Acho que minha mãe devia parar de fequentar a igreja, de ouvir aquele pastor… – pensou a moça, sem coragem de falar isso à mulher.

Na verdade, mais uma vez, Cátia percebeu que era praticamente impossível conseguir fazer a mãe entender que certas questões morais já não tinham o mesmo peso que tinham a uma ou duas gerações atrás.

Para a mãe, a moça ainda continuava a ser educada para se casar, servir e ser fiel ao marido. Devia, portanto, permanecer virgem até o dia do casamento, devia pertencer a um homem só.

Cátia sequer concordava com essa ideia de pertencer. Ela não pertencia a ninguém, não “dava” para ninguém. Era uma moça livre para amar quem quisesse, para fazer amor com quem quisesse.

Sentia-se presa ao Danilo, mas era porque o amava, precisava do amor dele.

A campainha interrompeu aquela sua conversa com a mãe.

Era Danilo.

O rapaz, sem descer da motocicleta, apenas acenou para a mulher, que permanecera na varanda, enquanto beijava a face da namorada, e depois cobria sua cabeça com o capacete que trouxera de reserva.

Cátia subiu na garupa da moto, abraçou o corpo do namorado, e partiram.

Danilo, apesar de da ansiedade em estar junto ao corpo nu de Cátia, parecia não ter tanta pressa em chegar a qualquer lugar que fosse.

Estava uma tarde de sol, ainda que sob um céu enevoado, e parecia sublime rodar pelas ruas da cidade de modo lento, como faziam quase sempre, desde que comprara a moto, curtindo cada minuto, cada metro, cada gesto, cada toque mais acalorado das mãozinhas de Cátia em seu peito.

– Onde o moço vai me levar? – perguntou a menina, numa parada de farol.

– E por acaso você não sabe? – perguntou Danilo. – Foi você mesmo quem sugeriu.

– Eu sei. Mas é no mesmo lugar de sempre?

– Acho que é. Não tenho grana para pagar uma suíte de luxo. Aliás, nem grana eu tenho, tive de arrumar com meu tio. Estou desempregado, sabia? A família inteira está desempregada e sem casa para morar.

– Eu tenho dinheiro. Hoje eu pago. – falou a moça, quando a moto já rodava pela larga avenida.

– Isso é que não. – retrucou Danilo.

– Vai dar uma de machão, é? Hoje eu pago. E pode escolher um lugar de mais luxo.

– Isto significa que você nunca gostou do lugar onde te levo?

– Não é nada disso. O que me importa é estar com você. Mas não posso desejar estar com você num lugar mais luxuoso?

– Claro que pode. Só não entendo porque essa vontade agora.

– Porque quero. Ou então, se você quer saber, é porque recebi um dinheiro extra na firma e resolvi gastá-lo com você.

A conversa ainda continuou por mais algumas quadras, quando então Danilo percebeu estar na mesma avenida dos motéis, onde rodara naquela sexta-feira, em companhia de Suélen.

Seria errado se adentrasse o mesmo motel onde esteve com ela?

Entrou.

Não porque preferiu estar ali, mas, sim, porque não conhecia os demais, não sabia dos preços.

Mas escolheu um tipo de suíte diferente. Não quis correr o risco de estar no mesmo quarto, na mesma cama.

Cátia não merecia isso.

Cátia havia sido a primeira mulher de Danilo, e praticamente a única.

Não conseguia encaixar aquela noite com Suélen como algo que pudesse engrandecer sua vida.

Havia sido usado, e de forma tão fria, que não conseguia distinguir suas duas transas com Suélen das vezes em que se masturbava.

Não houve amor, não houve calor, não houve nada. Talvez até mesmo a masturbação fosse mais excitante, mais imaginativa, mais calorosa.

Cátia era diferente.

Não se pôs nua tão logo entraram no quarto.

Gostava de primeiro olhar bastante para o seu menino, e também ser olhada. Gostava de trocar carícias, beijos, fazer cair aos poucos as peças de roupa um do outro. Gostava de ser admirada, de expor lentamente o seu corpo desnudo ao parceiro, de ser tocada, acariciada, beijada, provocada.

Continua… em breve

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