Pesadelo… sonhei que estava vivo

Pesadelo… sonhei que estava vivo

By Anna Riglane

Conto extraído do ebook “13 contos eróticos do outro mundo”, publicado pela autora na amazon.com.br

Título original: Cemitério erótico… sexo do outro mundo

(…)

Parte 1

Morri no dia 16 de setembro, uma sexta-feira, por volta das cinco e meia da tarde.

Já era o meu terceiro encontro com a Marluce, uma morena de parar o trânsito, que trabalhava na padaria próxima ao meu local de trabalho. Ela me atendia todos os dias e a cada dia a coisa ia ficando mais promissora, até que ela perguntou de forma bem sedutora.

– Vai comer o quê hoje?

– Depende. – falei. – Agora no almoço vou querer o trivial, mas mais tarde acho que vou querer algo que ainda não comi.

Não foi difícil descobrir que ela saía às duas da tarde e eu, como faço parte do meu serviço na rua, também não tive dificuldade em pegá-la na esquina ali perto por volta das duas e meia.

Ficamos até quase seis horas num motel e a Marluce se mostrou um tesão. Contou-me que estava casada fazia onze anos, que no começo era tudo gostoso, mas que já fazia um bom tempo que não sentia mais aquele prazer todo junto ao marido, e ele parecia não ser diferente.

– Mas essa é a primeira vez que me aventuro com outro. Sempre tive o maior respeito por ele e também muito medo, pois ele é bastante ciumento e nem sei do que é capaz de fazer comigo se descobre.

– Mas você está aqui comigo.

– Você me seduziu. E você bem sabe há quanto tempo a gente está nesse lenga lenga… eu nunca tinha coragem até que…

– Até que…?

– Até que não aguento mais. Preciso ser mulher. – ela foi falando, se jogando em meus braços, rolando comigo na cama, tirando a roupa, querendo ser tocada em suas partes, pegando minhas partes.

– Posso chupar?

– E precisa pedir?

– Não sei. Meu marido fala que mulher que faz isso é cadela.

– Você nunca chupou ele?

– Não. Nunca chupei ninguém. Ele é o meu único homem.

– E ele já chupou você?

– Não. Mas é a coisa que eu mais quero. Quero chupar e ser chupada. Você me chupa?

Mas claro que chupei. Deixei Marluce se deliciar com o meu pau em sua boca, deixei ela mamar, deixei enfiar quanto podia na direção da sua garganta, deixei ela sentir aqueles primeiros pingos…

E gozei na sua boca. Mas foi ela quem quis, ela quem pediu. Não falou nada, mas ficou me pedindo com os olhos, “resmungando” com o pau na boca, segurando para eu não tirar.

DESPEJEI.

– É salgado. – ela falou, mas só um bom tempo depois. Antes ela ficou brincando, deixando escorrer, pegando de volta com a língua…

– Você não conhecia?

– Já não te falei? É a primeira vez que eu chupo.

– E vai ser a primeira vez que será chupada. – falei, jogando-a na cama e entrando por entre suas pernas, caindo de língua, de lábios, de dentes na sua xana, chupando, lambendo, mordiscando, fazendo ela gritar tão forte que o motel inteiro podia ouvir.

E dessa vez foi eu quem a ficou segurando para que ela não fugisse. Só permitia que ela mexesse o quadril de tudo quanto é jeito, mas não parava de chupar sua xana, até que ela, finalmente, sem aguentar mais, explodiu num gozo e soltou um gemido tão forte que, dessa vez tenho certeza, assustou o motel inteiro.

Papai e mamãe ela já tinha feito muito, era o que estava acostumada a fazer, por isso, logo depois que a penetrei nessa posição, partimos para outras: de lado, de Y, de quatro, de cavalinho…

– Nossa! Nunca tive tanto prazer. – ela dizia, mas sem perder as energias, sempre querendo mais.

– E aqui? Já sentiu prazer aqui? – perguntei, mexendo no seu traseiro.

– Nunca. Mas quero sentir. Só que não hoje.

– Por que não hoje?

– Porque eu quero você outra vez e se eu te der tudo hoje você não vai mais querer me ver.

Ela não tinha razão em falar isso, pois era tão gostosa e tão quente que eu já imaginava ter encontrado uma amante ideal para todas as semanas. Mas valeu a pena esperar até a sexta seguinte para inaugurar aquele seu traseirinho apertadinho alojado numa bunda mais que gostosa.

Mas, apesar da sua vontade de experimentar, ela estava morrendo de medo e não foi tão simples passar a portinha, romper o anel, rasgar as pregas. E mesmo depois que rompeu, que entrou tudo, ainda assim ela não relaxou o bastante para aproveitar. Disse que foi gostoso, mas eu percebia que não era bem assim.

Por isso teve a sexta-feira seguinte e, dessa vez, mais uma vez, depois de chupar e engolir o meu sal, depois de ser chupada, de fazer papai e mamãe, cavalinho, de quatro e tudo o mais, chegou a hora do traseiro outra vez. Foi bom, foi melhor, ela relaxou bem mais ou, pelo menos, tentou relaxar, mas eu bem sabia que o prazer mesmo quem estava tendo era apenas eu.

Por isso a recompensei com uma chupada final, já no banheiro, sob a água que escorria pelos nossos corpos, pelos seus pentelhos.

Foi o gozo mais louco que ela teve… o último gozo da sua vida.

Na saída do motel seu marido estava esperando com uma pistola automática na mão e não deu nem chance para a gente explicar que não era aquilo que ele estava pensando.

E foi bem democrático. Um tiro pra ela, outro tiro pra mim, um pra ela, outro pra mim… pelo menos enquanto consegui ver, foi assim.

Aí tudo ficou escurão, umas sombras, vultos, coisas que eu não entendia o que eram, vozes, choros, lamentos, e eu já tinha a certeza de que estava no inferno. Também… quem manda comer a mulher dos outros? Além de morrer, ainda vim parar no inferno. – eu pensava.

Mas eu não estava no inferno; ainda não.

Num certo momento tudo começou a clarear, comecei a ver árvores, passarinhos, e logo descobri que as vozes e lamentos que eu tanto tinha ouvido nada mais eram do que vozes de pessoas que vinham visitar seus mortos, acompanhar enterros… eu estava num cemitério, e era dia de Finados.

Eu via todo aquele movimento, mas ninguém me via.

E então, de repente, percebi que podia voar, atravessar túmulos, muros, passar pelas árvores, subir alto, bem alto. Que sensação de leveza e felicidade aquilo me deu!

Mas logo percebi que outros seres (ou que haviam sido seres) também voavam por ali, de um lado para outro, alguns felizes, outros nem tanto, resmungando porque não queriam ter morrido. Eu também não queria ter morrido, mas já que estava morto… vamos aproveitar a morte. – eu pensava.

E foi então que vi um vulto se aproximando, lindo, esvoaçante, me chamando pelo nome. Eu não podia acreditar que era a Marluce, que a gente havia se encontrado. E menos ainda eu podia acreditar no que ela dizia.

– Acho que agora vejo tudo o que eu não via antes. Acho que vou conseguir relaxar, fazer direitinho, gostoso…

– Mas mortos ainda transam? – perguntei.

Marcamos para aquela noite, sob a sombra escura da terceira árvore da Viela 1 da Quadra C, como se ali pudéssemos estar longe da vista dos outros mortos.

E não estávamos mesmos. Mal começamos, mal eu havia tirado aquele seu lençol branco…

– Ah! Seus filhos da puta. Desgraçados! Até depois de morta você me põe chifre, sua vaca! Vou matar os dois! Vou matar os dois.

Era o marido. Ele havia cometido suicídio com a última bala da pistola.

Tratei de voar pra longe, mas logo parei, me perguntando se era possível morrer duas vezes. Só que não voltei lá para conferir.

Parte 2

Os dias e, principalmente, as noites, foram passando e fui aos poucos me acostumando com a vida de morto.

Durante o dia eu passava praticamente o tempo todo no meu túmulo, dormindo ou, quando não, lembrando das coisas da vida, do que eu fazia, do que eu não fazia, do quanto sempre gostei de pegar mulher casada, pois sempre dava um sabor melhor. E pensava também que sempre me falavam que mulher casada cheira a pólvora, que eu podia encontrar um marido ciumento e que eu acabar me dando mal… E me dei mal, morri com vários tiros, mas um gostinho eu levava da vida; morri com 32 anos sem nunca ter casado, sem nunca ter tido um namoro mais sério… quer dizer, sem nunca ter levado um chifre. E olha que andei colocando adorno em muitas cabeças. Até que saí no lucro.

Durante a noite eu saía para uns voozinhos de reconhecimento, vendo os cantos mais movimentados, as tumbas onde ocorriam reuniões, onde se comemoravam aniversários de morte, os points onde rolava algumas coisas diferentes.

Fiquei sabendo que em certos locais rolavam coisas mais pesadas, drogas da vida, isto é, que tinham o efeito de levar o usuário a alguns momentos de vida. Me falavam que mais dias menos dias ou mais noite menos noite eu ia querer usar também. Mas como falavam que quem controlava a venda dessas drogas era um tal de Zé Tumbão, sujeito que em vida havia matado uns cinquentas, eu evitava as drogas e também aqueles cantinhos onde elas rolavam.

Mas o pessoal com quem eu já tinha feito alguma amizade estava com a razão. Não demorou muito para que a Marluce me encontrasse novamente, descobrisse onde era a minha cova.

– Ando fugindo dele. – ele dizia. – Ele quer me matar de qualquer jeito.

– Quer te matar? Mas como é que ele pode te matar outra vez?

– Sei lá. Só sei que ele quer me matar. Vamos transar? Estou bastante precisada.

Que fiasco!

Com medo do maridão ciumento e de que ele pudesse matar a gente (gente?) novamente, saímos do cemitério e voamos para bem longe, passando por cima da cidade e chegando até uma propriedade onde achamos que estaríamos seguros.

– Quero te chupar. – ela dizia. – Primeiro eu quero te chupar bastante, quero tua porra… e depois quero que você me chupe… me chupe bastante.

Começamos… quer dizer, tentamos começar.

Tiramos nossos lençóis e ela foi logo se agachando à minha frente para pegar meu pau na boca… saiu do outro lado, na sua nuca.

Tentou outra vez, mais outra…

– Vocês nunca vão conseguir. – falou um vulto que estava junto a outro vulto, do outro lado da cerca, dando-nos um belo susto.

Pensávamos estar sozinhos ali.

O vulto estava comendo uma vulta e para eles parecia que tudo estava acontecendo direitinho, ele colocava nela, ela mexia, gemiam… tudo como gente viva.

E falavam e transavam… quer dizer, nem se importavam com a nossa presença.

– Mas como é que vocês conseguem? – perguntei.

– Espírito não transam. – disse a vulta, rebolando satisfeita no pau do vulto.

– Mas vocês estão transando… – falou a Marluce.

– Mas estamos em vida. – falou o vulto. – Por isso é que até parece que estamos num outro lugar… estamos na casa onde a gente costumava transar quando vivos… Vocês precisam estar em vida também para poder se transportar e transar.

E então, sem parar de transar, pois sabiam que não tinham muito tempo antes de voltarem à morte, eles nos explicaram que precisávamos da droga.

– Procurem o Zé Tumbão. – falou o vulto. – Ele vende uma droga da boa. É vida na certa. O efeito dura pouco, mas enquanto dura dá para aproveitar e muito.

– A gente sempre toma. – falou a vulta, já gozando no pau do vulto.

Por insistência… ou burrice, ainda tentamos mais um pouco, enquanto os dois vultos já tinham acabado e voado embora. Mas nem a Marluce conseguia chupar o meu pau e nem eu conseguia chupar sua xana… minha cabeça passava direto por entre suas coxas. Colocar o pau, então, nem pensar.

– O jeito é procurar o Zé Tumbão. – falei, enquanto voávamos de volta para o cemitério. Só não sei que tipo de dinheiro se usa para pagar por essa droga.

Por que que eu fui perguntar?

Bom… primeiro tivemos de voar apressados, cada um para um lado, pois que o marido da Marluce tinha nos localizado e estava voando em nossa direção, depois, já na minha tumba, conversando com o morto da tumba vizinha, fiquei sabendo que a única coisa que o Zè Tumbão cobrava era o roscófi.

– Roscófi? Que diabos é isso? Não vai me dizer que é o…

– Só é. E o pior é que ele desenvolveu o poder de fazer o pau ficar do tamanho que ele quiser.

– Se tá é besta. Vou morrer sem comer mais ninguém.

– Você já está morto, cara.

– É mesmo. Mas fala aí… você já foi no Zé Tumbão… já…?

– Fazer o quê? Não tem outro jeito.

– Tem, sim. Vou viver o resto da morte sem comer ninguém.

 Passei dias na maior angústia, maior indecisão. Sabia que se quisesse comer novamente a Marluce teria antes de dar a bunda pro Zé Tumbão, pois só assim eu conseguiria a droga que nos traria à vida por algum tempo, isto é, o tempo de transarmos. Pensei em pedir para que Marluce fosse no meu lugar, mas me informaram que o negócio do Zé Tumbão é bunda de homem, só bunda de homem.

E logo a Marluce começou a me cobrar, dizendo que estava precisando, que estava querendo.

– O que é que custa? É gostoso. Você vai gostar também.

– Mas eu não quero gostar. Que conversa é essa?

E pra ajudar ainda mais a minha confusão, nua noite apareceu o marido da Marluce, pegou a gente sentados sobre a tumba, conversando. Pensamos que ele fosse nos matar outra vez, mas estava na paz.

– Preciso muito de você. – ele começou a falar pra ela. – Nem me importo que você tenha outro. Vocês dois podem continuar se encontrando, não me importo… Só quero você junto comigo, na minha tumba…

– Mas, marido… Você sabe que precisa ir no Zé Tumbão e que ele…

– Já fui.

– Já foi?

E como são as mulheres, vivas ou mortas!

Marluce não pensou duas vezes. Simplesmente deu a mão ao marido e saíram voando na direção daquele sítio onde tínhamos tentado antes.

Pois que vá! – pensei. – Se ele deu a bunda para comer novamente a mulher, eu é que não vou fazer a mesma coisa. E além disso, eu pensava também que já nem teria muita graça, pois o gostoso é comer escondido do marido; com o marido sabendo, autorizando, realmente não seria a mesma coisa.

Fico sem. – pensei, decidi. – Fico sem, mas a bunda eu não dou.

Será que não?

Uns dias depois daquela nossa conversa a três, aconteceu um enterro numa cova bem perto da minha. E logo vi que era coisa importante, pois havia gente que não acabava mais, meio mundo pisando sobre a minha campa.

Pensei em bronquear, dar um susto daqueles e botar todo mundo pra correr, quando descobri que o motivo de tamanha comoção é que ali estavam sendo enterradas duas meninas, irmãs gêmeas, que haviam morrido num desastre de avião.

– E o pior de tudo é que morremos virgens. – disse uma delas, logo naquela mesma noite, quando fui, apressadamente, dar as boas vindas, antes de qualquer outro.

– Morreram virgens? Mas isso não é problema. – eu falava. – Se as mocinhas não se importarem, posso tirar a virgindade das duas…

– Jura? Pode mesmo? Sabe que o nosso sonho sempre foi perdermos a virgindade juntas, com um mesmo menino…?

– Bom… não sou mais nenhum menino, mas…

– É menino, sim. – disse uma delas, enquanto que as duas já foram se aproximando, se juntando a mim…

– Mas dá para transar aqui, com a gente morta? – perguntou uma delas.

– Dá, sim. Aqui tem uma droga que a gente toma e volta à vida por algum tempo… e então…

– Onde é que a gente consegue essa droga? – perguntaram as duas, ao mesmo tempo.

– Droga? Ah, sim, a droga, a droga… Zé Tumbão, vida, roscófi, meninas, Zé Tumbão, Marluce, meninas, namorar, drogas, roscófi… Zé Tumbão, namorar, Zé Tumbão, Zé Tumbão…

– Acorda, homem! Acorda! Tá delirando? Tomou todas, não é? E que história é essa de meninas, Marluce, Zé Bundão…?

– Não é Zé Bundão, mulher, é Zé Tumbão… só que agora eu não sei…

– Não sabe o quê, homem? Fala!

– Não sei se você me salvou ou se me estragou um grande prazer.

A mulher ainda tentou saber mais coisas sobre o pesadelo que eu estava tendo, mas eu não queria falar mais nada, só queria manter aquele sonho vivo, bastante vivo na minha mente… mas sem o Zé Tumbão.

Mas logo descobri que não era um pesadelo, eu estava morto de verdade, não estava sonhando… quer dizer, estava num pesadelo, mas era um pesadelo ao contrário, eu sonhava que estava vivo… Que confusão!

Eu estava mortinho da silva e com uma dúvida cruel…

Estava mortinho da silva e com uma dúvida cruel…

Minhas pregas por dois cabacinhos? Dois cabacinhos pelas minhas pregas? Minha moral de macho por duas coisinhas…

E agora?

Parte 3

É dando que se recebe.

– Onde é a cova do Zé Tumbão? – perguntei para o meu vizinho de túmulo.

– Se resolveu, hem!

– Sem gozação, cara. Se não tem outro jeito para eu tirar dois cabacinhos de uma vez só…

– Dois cabacinhos de uma vez? Mas eu nunca consegui isso nem em vida nem em morte. Quem são as beldades?

– Não te interessa. Vai falar onde é a cova do Zé Tumbão ou não vai.

– Ele não tem cova, cara. Ele mora é no necrotério. Tá vendo, lá… que parece uma capela? Mas cuidado, hem! Você já sabe que ele faz o bruto crescer até o tamanho que ele quer.

Que diferença faz se o pau é grande ou se o pau é pequeno. – pensei. – O estrago moral é o mesmo. E caminhei… quer dizer, voei na direção do necrotério, só pensando em como a vida é injusta; ou a morte é injusta, não sei. O caso é que quando eu era moleque me falavam que quem não dá de pequeno vai dar depois de grande. Pois não dei nem de pequeno e nem depois grande… Mas ninguém nunca me falou nada que quem não dá em vida vai dar na morte.

Eu, hem!

Já estava escuro e, para minha sorte, logo que cheguei em frente ao necrotério uns caras de buldogue me informaram que o Zé Tumbão havia dado uma saída, mas que logo voltava.

– Pode esperar. – falou um deles. – Espere aí e vai relaxando. A coisa costuma doer, viu!

Cara mais sem graça. Na certa já havia experimentado muitas vezes.

Resolvi que não ia esperar ali, junto daquela matilha, e dei uma voadinha até o muro da parte de cima do cemitério, que fica numa rua que faz fundos com o colégio da cidade.

E o que foi que eu vi?

Ao invés de estarem nas salas de aula, estudando para ser alguém na vida, havia pelo menos uns oitos casaizinhos por ali, encostados no muro, do lado de fora do cemitério, nos maiores amassos.

Bom… amassos é apelido. Pode até ser que um e outro casal ainda estavam nos beijinhos, nos peitinhos de fora, outros já estava com o pau nas coxas, no famoso sabãozinho… mas a maioria deles estava mesmo era na fodeção. Tinha menina de quatro, menina em pé, prensada contra o muro, menina sentada numa lajota, com as pernas abertas, e o cara dentro dela.

Ô inveja que me deu!

E eu podia chegar bem perto, bem junto, ficar olhando, o entra e sai, ouvindo a gemeção.

Gente morta também fica de pau duro vendo essas coisas… quer dizer, gente morta que tem pau, porque mais adiante vi duas gentes que não tinham paus. Era gente, mas não parecia gente, eram mortos, mas não pareciam mortos, eram um casal, mas não parecia um casal…

E essa agora! Além de morto eu estava ficando biruta?

Não. Eu não estava biruta e nem estava ficando. O casal, que não era casal, que estava ali aos beijos e aos abraços, além das gostosas passadas de mãos lá por baixo eram, nada mais nada menos que as duas meninas, as gêmeas.

Eles me viram e nem se abalaram, apenas pararam com os beijos tiraram suas mãos uma das partes da outra, viraram para mim, esperaram que eu falasse alguma coisa, e como eu não conseguia falar nada, elas começaram e me revelaram duas grandes descobertas, uma mais importante que a outra.

A primeira descoberta é que as duas sempre foram muito mais que simples irmãs.

– A gente se curte desde pequenas. – disse uma delas.

– Vocês se curtem? Como assim.

– A gente se ama. Ela é minha namorada e eu sou a namorada dela.

– Até aí tudo bem… coisa mais normal, mas…

– Mas gostamos de homens também.

– Vocês gostam?

– Gostamos, mas nunca tivemos. – disse uma.

– Por isso é que resolvemos perder a virgindade juntas, com um mesmo menino. – disse a outra.

– E agora a gente já pode perder… nós duas juntas e você. Só estávamos dando uma esquentadinha aqui, vendo os namorados, namorando um pouco também… Vamos para algum lugar, menos na nossa cova, temos parentes lá.

– A minha é muito pequena para nós três.

– Então vamos pra longe, pro mato, qualquer lugar.

– Só tem um problema. – falei. – O Zé Tumbão não estava, eu ainda não peguei a droga, ainda não…

– Mas não precisa. – me disseram as duas, ao mesmo tempo.

Essa era a segunda descoberta, a mais importante.

– Não precisamos da droga. Podemos transar sem usar nada.

– Como assim? Sem o uso da droga?

– Pois é! Viemos aqui para espiar os namorados, começamos a nos amar… Você quer ver? – perguntou uma delas, pegando minha mão e levando até seus peitinhos, por cima do lençol.

Mas nem lençol era. Só então eu estava reparando que elas estavam usando roupas de gente viva.

– Aperta os peitinhos dela. – falou a outra irmã.

Apertei. E foi como apertar os peitinhos de uma menina viva, como se eu estivesse vivo.

– Aperta eu aqui. – falou a outra, pegando minha mão e colocando sobre sua xaninha.

– MAS QUE MARAVILHA! – gritei, sem conseguir me conter.

E o resultado foi que dois ou três casais que estava ali próximo começaram a olhar para nós, como a perguntar o que estava acontecendo. Eles estavam nos vendo como gente viva!

– Vamos logo, meninas. Vamos voar para um lugar que eu conheço.

– A droga é a nossa imaginação. – voou falando uma delas. – Basta a gente se esforçar um pouco e imaginar que podemos fazer qualquer coisa. E esse tal de Zé Tumbão vem enganando todo mundo… ninguém precisa de drogas…

Mas até aqui na morte tem essas enganações? – eu pensava.

Chegamos àquele sítio onde eu tinha tentado comer a Marluce.

– Mas eu não queria transar no mato. – falou uma das irmãs.

– E para que serve a nossa imaginação? – perguntou a outra. – Estamos numa casa, numa cama, estamos num quarto muito bonito…

E logo estávamos os três num quarto realmente muito bonito, uma cama bem macia, luzes coloridas…

Logo estávamos sem roupa alguma, sem lençol, sem nada… e com corpos de gente viva. Estávamos vivos, e sem usar a droga do Zé Tumbão.

– Nunca chupamos um pau. – falou uma das meninas.

– Pois então sirvam-se. – falei, ficando na frente delas, ao alcance das suas boquinhas, enquanto elas estavam deitadas de bruços na cama.

E começaram a revezar suas boquinhas no meu pau.

Meu pau era de vivo, suas boquinhas eram de vivos, mas as chupadas eram celestiais, de outro mundo, dos anjos ou dos capetas, não sei. Se não me segurasse eu já estava ejaculando nelas.

– A gente nunca foi chupada.

– Como não? Vocês nunca se chuparam?

– Por um homem nós nunca fomos chupadas.

– Pois serão agora.

Coloquei as duas deitadas como frango assado, com suas xaninhas em oposição uma à outra, bem pertinho uma da outra, quase coladinhas.

E chupei, beijei, lambei, mordisquei, revezei, esfregou a face, enfiei os dedos, mas só nas portinhas, deixando a penetração para o meu pau… meu pau…

– E agora… quem vai ser a primeira? – perguntei, depois que as duas se colocaram de quatro na cama, à minha frente, com suas xaninhas prontinhas para serem penetradas, perfuradas, vazadas.

– Nenhuma, nem outra, as duas ao mesmo tempo. – disse uma delas, enquanto as duas se ajeitavam de modo a ficar com suas xaninhas mais próximas e mais à altura do meu pau.

Meu pau!?

De repente eu estava com dois paus, um para cada xana.

Na verdade, não era com dois paus que eu estava, mas, sim, com dois eus. Isso mesmo. Era como se eu fosse dois e um só ao mesmo tempo.

Uma coisa é certa; se tirar um cabacinho é sempre uma coisa de outro mundo, tirar dois cabacinhos de uma vez só é coisa de outra vida.

É tudo o que eu posso dizer.

Encostei as cabecinhas dos meus paus nas xaninhas delas, senti suas umidades, o calor de cada uma. Esfreguei os paus, coloquei nas portinhas, só encostei, vi como elas se acendia, se ajeitavam melhor, se abriam esperando a penetração.

Segurei firmemente os paus nas portinhas e fui empurrando, entrando bem lentamente nas suas xaninhas, enquanto ela deixavam escapar gemidinhos, trocavam olhares entre si, e se agarravam ao lençol.

Que prazer elas estavam sentindo! Que prazer eu estava sentindo!

Nem dá mais para ficar descrevendo os detalhes, pois a cada detalhe meu pau vai endurecendo cada vez mais e daqui a pouco vai trincar. Mas não posso deixar de falar que transamos sem parar por horas e horas, esquecidos da vida, ou esquecidos da morte, não sei. Foram mais que algumas horas, foi mais que uma noite, acho que umas duas ou três, sem parar. E só parávamos um pouco de vez em quando porque como vivos tínhamos de beber água, comer alguma coisa…

Mas era só imaginar. Só comíamos e bebíamos pela imaginação. Só as transas é que eram verdadeiras, ou será que não eram?

Uma das meninas quis me ver comendo o cuzinho da outra. Tive de voltar a ser um só, a ter um pau só.

Apareceu um gel e a menina esfregou no meu pau, esfregou no cuzinho da irmã, pediu para eu comer. E a menina penetrada no cuzinho gemia de satisfação.

Depois inverteu tudo e era primeira menina que agora se deitava, que era penetrada, e era a segunda menina quem agora passava gel fica olhando…

Cuzinho é gostoso. Tanto cuzinho de gente viva quanto cuzinho de gente morta é sempre uma coisa louca, muito louca.

E como é comer dois cuzinhos ao mesmo tempo?

– Venham meninas! Sentem-se nos meus paus. Espetem seus cuzinhos…!

Claro que até mesmo entre os mortos as coisas são limitadas. Depois de algum tempo, não sei quantos dias, transando quase sem parar, a gente cansou, elas cansaram, eus me cansamos, meus paus se cansaram, e resolvemos parar, deixar um pouco para outros dias, pois era certo que como mortos teríamos toda uma eternidade para transar e transar sem parar.

Quanto tempo dura a eternidade?

O Zé Tumbão soube que eu tinha ido à sua procura e como não voltei mais, mandou um dos seus buldogues até o meu túmulo.

– O que você queria? Não era a droga? Agora não quer mais? Por que não quer mais? Anda usando outra droga? Quem é que está te fornecendo?

– Poxa morte, cara! Quantas perguntas! Não fui pegar porque não fui pegar, não tenho mais interesse, não quero mais.

– Mas ele ainda tem interesse, ela ainda quer.

– Interesse no quê… ele quer o quê?

– Não sabe, não? Ele vai te comer de qualquer jeito, ora se vai.

Logo comecei a desconfiar que o Zé Tumbão estava desconfiado ou já sabia de fato que eu e as meninas tínhamos usado a imaginação para transar. Não sei como, mas ele sabia. E se ele sabia, logo iria saber também que se espalhássemos essa boa nova pelo cemitério ninguém mais iria pegar a droga com ele, nenhum morto mais iria ter de dar a bunda pra ele.

Senti que eu havia entrado numa encrenca, dei uma volta pelo cemitério, achei um tumulozinho de quinta categoria, me mudei pra lá, não deixei endereço para ninguém.

A Marluce me procurou no meu antigo endereço, me procurou pelo cemitério, e logo me achou. Ainda bem que foi ela e não o Zé Tumbão. Aliás, por que ele não havia me encontrado ainda? Tinha tantos buldogues a seu serviço, por que eles não estavam me procurando?

– Não adiantou nada a droga. – disse a Marluce. – Ele deu a bunda lá pro Zé Tumbão… tomamos a droga, mas na hora de transar foi a mesma coisa de sempre… Eu quero é igual foi com você… Você bem que podia… bom… não custa nada dar a bunda uma vez… é até gostoso.

– Gostoso pode ser, mas onde já se viu um homem dar a bunda? E além do mais… descobri que não precisamos de droga porcaria nenhuma…

– Não precisa? Me explica isso. Por que não precisa.

– Vou te explicar. Mas não agora. Vá embora daqui!

– Por que ir embora? Você não gosta mais de mim?

– Gosto. Claro que gosto! Mas agora você precisa ir, e eu também.

– Transa comigo. Por favor, vai!

Não sei como… quer dizer, sei, fiquei sabendo logo depois.

Aconteceu que eu tinha feito festa cedo demais, o Zé Tumbão tinha me encontrado, encontrado o meu tumulozinho. Eu falava com a Marluce e ele se aproximava; ele e seus buldogues, bem uns vinte, eu acho.

E então, com o medo desgraçado que me deu, desejei estar bem longe dali, escondido atrás de uma cachoeira. E zupt… num instante eu estava atrás da cortina d´água de uma imensa cachoeira que nem sei onde ficava, mas que não podia ser ali por perto do cemitério, pois que por ali não havia rio tão grande assim.

Eu e a Marluce atrás daquela cachoeira.

Mas como é que ela tinha chegado lá junto comigo? Simples: da mesma forma que ela tinha me achado ela também tinha me acompanhado na fuga, pois era seu desejo estar comigo, era sua imaginação que a fazia estar comigo.

Mas se era assim, por que as duas irmãs não tinham me encontrado também? Por que elas não estavam ali comigo? Será que não me desejavam mais? Será que eu não as desejava mais?

– Vamos transar!

– Anh!

– Vamos aproveitar e transar. – falou a Marluce, interrompendo aqueles meus pensamentos.

– Vamos. Mas tive uma ideia. Espere um pouco.

Concentrei-me, imaginei, imaginei… Primeiro imaginei ter dois paus e fazer uma DP na Marluce, mas acabei tendo uma ideia ainda melhor e…

– Marido! Mas o que você está fazendo aqui? Como encontrou a gente? Não vamos brigar, por favor.

– Não vim brigar, mulher. Na verdade, eu nem vim aqui… quer dizer, não vinha. Estava andando e de repente caí num buraco e vim parar aqui.

– Eu te trouxe aqui. – falei.

– Você? – perguntaram os dois ao mesmo tampo.

E então expliquei a minha teoria… quer dizer, a teoria das duas irmãs sobre o uso da imaginação. Mas nem terminei de explicar…

– Quer dizer que dei a bunda de bobeira? – gritou o marido da Marluce.

– Calma amor… agora é só você imaginar que nunca deu…

– Mas ainda está ardendo.

Olhei para Marluce, ela olhou para mim, e não se passaram dez segundos para ela estar ajoelhada aos nossos pés, chupando nossos paus, se deliciando como nunca, fazendo garganta profunda, querendo colocar os dois ao mesmo tempo na boca…

– Assim, não! – gritei. – Meu pau encostado noutro pau… nem morto.

– Nem o meu. – falou o marido dela. – Mas vejam só como são as coisas! Nunca na vida que eu iria imaginar e menos ainda aceitar, minha mulher chupando o pau de outro cara.

– Mas você não está em vida amor. Estamos mortos. Esqueceu?

– É verdade.

– E quer saber… acho que a melhor coisa que você fez na vida foi ter matado a gente.

– Estou começando a acreditar que isso é verdade. – falei. – Aqui a gente pode tudo… é só imaginar.

– Estou imaginando uma coooooisa. – disse a Marluce, e vupt, lá estava ela sentada no pau do marido, que agora era bem grandão na sua xana, enquanto me pedia para comer sua bunda.

Que DP mais louca ela fez! E como apertava o cu, a xana… Seus gritos ecoavam pela caverna formada atrás da cachoeira.

Lembrei das meninas. Onde elas estariam? Lembrei da minha cova, a minha de verdade, não a que eu havia alugado para me esconder do Zé Tumbão. Bem que eu precisava voltar lá, dar uma olhada se não havia sido invadida por alguma alma penada. Larguei os dois lá, marido e mulher, numa transa dos infernos, atravessei a cortina d´água formada pela cachoeira, procurei pela direção do cemitério, da minha cova… e já estava lá.

Mas minha cova não estava vazia. Havia duas alminhas lá, me esperando.

– A gente estava imaginando encontrar você. – disse uma delas.

– Queremos uma nova transa a três. – disse a outra.

– A três… mas por que só a três?

E de repente a minha cova virou um bordel, uma putaria sem descrição, uma suruba que começava não sei aonde e terminava pra lá de não sei o quê. Todo mundo engatado, espírito com espírita, espiritas com espiritas…

– Ôpa! Viadagem aqui na minha cova, não. – gritei, quando vi um espírito se preparando para comer o cu do outro espírito.

Depois lembrei que isso é preconceito, que nem na vida é certo ter preconceito, quanto mais na morte. E liberei.

Mas por que fui fazer isso? Estava todo mundo enrustido e quando dei o grito de liberou geral o que mais eu vi foi homem… quer dizer, espírito virando a bunda pro outro.

Eu, hem!

Procurei pelas irmãs. Elas estavam se curtindo no topo de um pé de manga a umas dez covas da minha.

– Estávamos esperando você. – disse uma delas.

– Gostamos mais só nós três. – disse a outra.

– Mas aqui fora o Zé Tumbão pode me encontrar. – falei.

– Mas não existe Zé Tumbão. – disseram as duas. – É só imaginar… lembra?

Lembrei, mas lembrei de outra coisa, também… quer dizer, na verdade eu pensei: será que tudo isso, a Marluce, o marido, nossa morte, o cemitério…

Será que tudo isso não é apenas imaginação minha?



Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: